sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016 | #CadêALegenda? e #SurdosExistem

Preparada com muuuuito carinho pra vocês, apresento-lhes ~A COLETÂNEA~

Julho de 2016

Manifestação em frente ao cinema em São José, Santa Catarina:
Print do post do facebook da Dani em frente aos cinemas, com várias fotos dela segurando cartazes com as escritas "este cinema não respeita surdos", legenda pra quem não ouve é lei", "pessoas com deficiência existem", "mais legenda, menos exclusão".
Disponível >aqui<


Moção de apoio do IFSC bilíngue, da Palhoça, Santa Catarina:
Print do início do texto de moção de apoio.
Leia a moção completa  >aqui<

Apoio de um dos maiores (senão o maior) portal sobre surdez, do Brasil, o Crônicas da Surdez:
Leia o post  >aqui<


Manifestação em São José, Santa Catarina:
Rosemary Ventura, Gustavo Copello, Micael Martins, Gabriella Esteves, Dani, Camilla Copello, Amanda Copello. Muito obrigada a todos vocês!
Segurando cartazes com as mesmas escritas da imagem anterior, da Dani.

Curta e compartilhe  >aqui<


Agosto de 2016

Germano Dutra, criador do canal 'Surdo Cult', fez um vídeo muito legal, em Libras, sobre os protestos:


Inscrevam-se no canal dele!

Manifestação no cinema em Florianópolis, Santa Catarina:
Print com várias fotos da Dani e da Gabriella em frente ao cinema, com os mesmos cartazes.
Curta e compartilhe  >aqui<

Cinemark até agora sem respostas.

A OAB propõe que nos Boletins de Ocorrência tenha um campo destinado a especificar se a pessoa possui deficiência ou não, assim, levantando dados sobre os crimes contra PCDs.

Link da reportagem >aqui<

Obrigada Ludmila Hanisch! <3 Você é incrível!

Projeto de lei por legendas em Campinas, São Paulo:

Print da reportagem do link abaixo, em que mostra o título "Câmara aprova, em primeira discussão, obrigatoriedade de filmes -mesmo dublados - com legendas para deficientes auditivos nos cinemas de Campinas". Abaixo, uma foto da câmara, com vários vereadores conversando. 
Disponível  >aqui<

Encontro de usuários de aparelhos auditivos e implantes cocleares em Florianópolis:
Em frente a uma sede do parque, em que há uma escada no centro, aproximadamente 30 pessoas, participantes do encontro.
27/08, Parque Florestal do Córrego Grande.


Conheci e me envolvi [pra nunca mais largar] com a campanha "Legenda pra quem não ouve, mas se emociona"
Dani sorrindo, cabelo amarrado, com a cabeça virada para o lado, usando a camiseta com as escritas "legenda pra quem não ouve, mas se emociona"
Curta a página da campanha >aqui<,
Faça o download gratuito do desenho e mande fazer a sua camiseta também!

Conheci o aplicativo Listen - Perda Auditiva:

Um app para quem tem perda auditiva ouvir músicas ( pois o volume dos fones do celular geralmente não é alto o suficiente). E o app também funciona como um aparelho auditivo!
Dani sentada em um banco, sorrindo, dentro do shopping, pernas cruzadas, segurando o celular que está com fone de ouvido, mostrando o aplicativo.
Ouvir música no fone, sem os aparelhos auditivos é possível para perdas moderadas-severas, informações:
Assista mais  >aqui<
Blog da Listen: >aqui<
Facebook: >aqui<

Manifestação em Divinópolis, Minas Gerais:
Curta e compartilhe >aqui<

Manifestação em Belo Horizonte, Minas Gerais:
Curta e compartilhe  >aqui<

Manifestação em Palhoça, Santa Catarina:
Curta e compartilhe >aqui<
Manifestação em São Luís, Maranhão:
Disponível >aqui< e >aqui<



Setembro de 2016

Assembleia Legislativa de Santa Catarina fez projeto de lei para que tenha legendas em cinemas:

Print do post da assembleia legislativa, no facebook, anunciando o projeto de lei sobre legendas.Mostra uma sala de cinema, vista do fundo, e na tela está escrito Qual a sua opinião? Projeto em tramitação pretende obrigar salas de cinemas a exibir filmes nacionais e dublados também com legendas em português.
Disponível >aqui<
Ainda está em tramitação, última movimentação:
28/11/2016 - Gabinete Dep. João Amin - Recebido
Leia o Projeto de Lei >aqui<
Acompanhe o processo >aqui<

Teste de cinema acessível com legenda, Libras e áudio descrição na Paraíba, com a Cinépolis, e entrevista com a equipe do LAVID/UFPB:

Print da lista de vídeos do canal da Dani, no youtube, em que aparecem 3 vídeos, o da esquerda, é "Como conseguir aparelho auditivo do sus", o do meio, "Na paraíba com a cinépolis, parte 2: teste de cinema" e o da direita "Paraíba, parte 1, viagem e hotel"
O presidente da Cinépolis foi pessoalmente acompanhar.
 Vídeo >aqui<

Polícia Militar de Santa Catarina lançou o 190 acessível:

Print da publicação no facebook da polícia militar, com o vídeo de apresentação do serviço que atende em libras e por escrito.
Assista ao vídeo >aqui<

Manifestação em Recife, Pernambuco:

Disponível >aqui<

E matéria no G1 >aqui<
Matéria no SurdoSol  >aqui<

E saiu lei estadual por legendas em Pernambuco:

Print da matéria abaixo, em que aparece Marcelo, com a camiseta da campanha Legenda pra quem não ouve, mas se emociona em frente ao cinema, com o cartaz "sou surdo e mereço estar excluído pelos filmes sem legendas?"
Disponível >aqui<


Manifestação no cinema em Caruaru, Pernambuco:
Print da publicação abaixo, com áudio descrição:
Disponível >aqui<

Manifestação no cinema em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul:

Print da publicação de Fabiano, com aproximadamente 30 pessoas em frente ao cinema, com vários cartazes pedindo por legendas.
Disponível >aqui<
Reportagem >aqui<



Projeto de Lei por legendas em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul:

foto: print do  site de notícias, em que mostra o título "comunidade surda obtém conquista na câmara de Caxias do Sul, e na foto, mais de 20 pessoas em frente a câmara, na grama, com cartazes sobre legendas, exemplo, "mais legenda, menos exclusão".
Disponível >aqui<

E no facebook da Carilissa Alba, >aqui<

Conheci a Uqüe - Plugs for Lugs, que cria adereços para aparelhos auditivos e implantes cocleares:
foto: print da página do facebook da Uque, em que na capa tem um menino rindo, com sol no rosto, e o aparelho auditivo dele está enfeitado com um acessório de super herói..
Conheça a página >aqui<


Saiu a normativa nº 128 da ANCINE, DECRETANDO LEGENDA, LIBRAS E ÁUDIO-DESCRIÇÃO EM TODOS OS CINEMAS!

foto: print do site da ancine, em que aparece o início do texto da normativa 128.
Leia a normativa >aqui<


Conhecemos pela internet a campanha por legendas da Argentina:

foto:print do facebook, de duas fotos da campanha da argentina, na primeira, em cima, 5 mulheres na rua, segurando cartazes  com o logo da campanha, que é uma orelha desenhada e ao redor, escrito "junto por los subtítulos". Na foto de baixo, elas estão de costas, levantando os cartazes. 
Disponível >aqui<

No dia 26 é comemorado o Dia Nacional do Surdo, e tive a oportunidade de escrever para o Blog da Listen, leia >aqui< 


Conheci as pessoas maravilhosas do "Surdos por aí": 
Encontro na Semana Inclusiva, no IFSC - Florianópolis.
Curta a página deles >aqui<


Outubro de 2016

Manifestação no cinema em São Paulo (capital):
foto:print da publicação do facebook, com mais de 40 pessoas segurando cartazes em frente ao cinema, com dizeres sobre legendas.
Disponível >aqui<

Primeira televisão acessível, em Libras e legendas: 
foto:print do site da TV Ines, em que aparece várias miniaturas de vídeos, com os repórteres.
Disponível >aqui<

Divulgação da campanha na Rádio Guarujá, alcançando o público ouvinte:
Gabriella Esteves, professora universitária e surda, Locutor Clayton Ramos e eu. Até ligaram pra rádio perguntando como conseguir aparelho auditivo pelo SUS, espero que a pessoa tenha conseguido!

Palestra na FADESC, para  turmas universitárias de pedagogia, sobre surdez e educação:
Ao lado das ilustríssimas Mari Backes e Gabriella Esteves. Auditório cheio, noite maravilhosa!


Novembro de 2016


Manifestação no cinema em Campina Grande, Paraíba:

foto: print do facebook, da manifestação com mais de 40 pessoas com a camiseta da campanha, no shopping.
Curta e compartilhe >aqui<
Mais fotos >aqui<
Saiu no G1, duas vezes, >aqui< e >aqui<

Manifestação no cinema em João Pessoa, Paraíba:

Foto: mais de 40 pessoas em frente ao cinema, usando a camiseta da campanha, e segurando cartazes com vários dizeres pedindo por legendas.
Foto: Luiza Douettes, curta e compartilhe >aqui<



Dezembro de 2016

Prefeitura de Florianópolis disponibiliza atendimento em Libras, em alguns órgãos públicos:
print da publicação da Viavel, no facebook, em que aparece o vídeo com uma mulher falando em libras sobre o atendimento para surdos.
Assista ao vídeo >aqui<

Professores de engenharia do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), Campus Florianópolis se disponibilizam a criar um "sistema FM" de baixo custo, com recursos já existentes.
Ao fundo, o prédio do ifsc, com a logo "IF", com o céu azul, e na frente, uma árvore na direita, e telhados abaixo, pois a foto foi tirada de um local alto.
Foto: arquivo pessoal

O sistema FM é um microfone que fica preso à roupa do professor, e o som é enviado ao aparelho auditivo do aluno. Porém essa tecnologia não é disponibilizada no ensino superior, e o custo é muito alto se a universidade for comprar. Assim, os professores se disponibilizaram a adaptar aplicativos e microfones já existentes para criar um sistema semelhante. O microfone está em processo de compra pelo Instituto, e se der certo, essa ideia poderá ser utilizada em qualquer universidade e escola do país, por ser quase 10 vezes mais barata que o Sistema FM original.

Alunos das engenharias do  IFSC - Campus Florianópolis se unem e pedem por matéria optativa de Libras, e são atendidos:

Imagem logo do  IFSC, com as letras I e F grandes, na esquerda, feitas com pequenos blocos verdes, e na direita, está escrito  instituto federal de educação, ciência e tecnologia de santa catarina, campus florianópolis


Fui fazer a rematrícula e agora temos duas turmas de Libras. Uhul! 
(Temos o IFSC Campus Palhoça, que é bilíngue (português/Libras) então é fácil deslocar um professor de lá para o Campus Florianópolis, pela proximidade)

Sobre os cinemas:
Estamos mantendo contato com as gerências e a comissão técnica da ANCINE, cobrando prazos e discutindo os tipos de tecnologias que estão testando para implementar a acessibilidade. Sugeri a um cinema de Florianópolis para que seja feita uma sessão apenas com surdos, testando as tecnologias de Legenda descritiva e Libras, estou no aguardo da resposta.

Portais de notícias, blogs, artistas que apoiaram:



Blog Animação S.A.

Beta Redação, do RS.

Programa Ver Mais (sem legendas, infelizmente )
 Jornal do Almoço (sem legendas, infelizmente )


 O ano também rendeu boas imagens:
Disponível (com áudio descrição) >aqui<
Do "Legenda pra quem não ouve, mas se emociona"

Disponível (com áudio descrição) >aqui<
Resumo da vida, hehe


Disponível (com áudio descrição) >aqui<
Dizem que é uma foto real minha, acordando pela manhã hahaha


Disponível (com áudio descrição) >aqui<
Pra mandar pra aquele amigo que ainda diz "Uééé, mas tá de aparelho, como não entendeu?"

Imagem: Dani Machado
 No fundo branco, a frase "Não ouvi tudo o que você disse, eu deduzi. E a leitura labial ajuda muito. Fale de frente". As letras estão com cores variadas de cinza, e pequenos pontos de interrogação ao redor. As consoantes mais difíceis de ouvir estão em cinza bem claro, para que fiquem difíceis de serem vistas, e as vogais, em preto ou cinza escuro, simbolizando a dificuldade dos deficientes auditivos ao captar somente alguns sons



Janeiro de 2017

~ ? ~

Que seja um ano com muita acessibilidade e inclusão! 

MUITO OBRIGADA a você que participou das campanhas, que compartilhou nas redes sociais, porque essa conscientização faz toda a diferença!
Alguns dizem “Ah, é só uma foto na internet, não muda nada”...Ahh, mas se eles soubessem que através de ‘simples fotos na internet’ tantas amizades foram firmadas, lágrimas de alegrias foram derramadas, projetos de leis criados e quantas pessoas se sentiram finalmente completas com sua própria deficiência! Através da propagação da mídia, surdos conheceram outros surdos, e não se sentir sozinho é uma sensação maravilhosa, temos mais união ainda do sul ao norte do país. Através da mídia, os cinemas estão abrindo mais os olhos. Até mesmo canais no youtube começaram a por legendas, prefeituras estão oferecendo atendimento em Libras e eu pude ir ao cinema mais próximo de casa com minha família assistir [e entender] um filme com eles - algo aparentemente tão simples, mas a sensação foi surreal, e desejo que todos possam sentir o mesmo.  
A semente da empatia foi plantada em muitos ouvintes, que nunca haviam parado para pensar sobre como é ser surdo, então eles conheceram um novo mundo, viram como falta acessibilidade para todas as deficiências. Famílias começaram a buscar informações de como lidar com um membro surdo, seja pesquisando sobre aparelhos auditivos, implantes ou Libras.
Muitos surdos que nunca puderam ir ao cinema se sentiram representados por cada um de vocês que protestou, que colocou toda essa indignação pra fora, de uma vida de invisibilidade, uma vida "deixando pra lá" tudo o que não ouviu, ou que não pode ouvir, pela falta de recursos acessíveis. Vocês fizeram história, e estão em busca de algo que não é só por nós do presente, mas pelas gerações futuras, deixar um mundo mais inclusivo para os que virão. E isso é sublime, admirável.
Há aqueles que viveram escondendo a surdez, mas agora se libertaram do medo do preconceito e estão se aceitando. Amigos estão buscando informações, perguntando como é ouvir com aparelhos, procurando cursos de Libras, estão querendo entender como é conviver com a surdez, e isso é incrível. Existe a acessibilidade que é construída com leis, e existem momentos em que a acessibilidade é construída apenas com pessoas, com empatia, e é aí que entra a importância da informação. Então, muito, muito obrigada a todos, a minha gratidão e orgulho por vocês será sempre um sentimento muito especial. Agradeço inclusive pelos sorrisos e pelas lágrimas derramadas ao rever todas essas fotos, e fazer esse post. Que todos possam sentir orgulho e gratidão pelos seus bons feitos!

Para sempre,

#SurdosExistem
#CadeALegenda

Grande abraço, e um 2017 cheio de legendas para vocês.
Dani.




terça-feira, 27 de dezembro de 2016

VÍDEO | Como conseguir aparelhos auditivos pelo SUS

Dando continuidade aos vergonhosos vídeos do canal, aqui estão dicas para conseguir aparelhos pelo SUS:

https://www.youtube.com/watch?v=YfJ8xDtI2ps

(Já sabe, né? Não esquece de deixar o like e se inscrever, que agora nas férias vai ter muuito vídeo! hehehe) 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A realidade de começar a usar aparelhos auditivos | O que esperar?



  Audição com aparelhos NÃO é igual à audição natural. 
Audição com aparelhos NÃO é igual à audição natural.
Audição com aparelhos NÃO é igual à audição natural.
Audição com aparelhos NÃO é igual à audição natural.
Audição com aparelhos NÃO é igual à audição natural.


Como só comecei a utilizar AASIs ( aparelhos auditivos) nesse ano, passei boa parte da minha infância já com perda auditiva e me acostumei a ouvir tudo de uma maneira beeem diferente - só que achava normal

Mas como é começar a usar aparelhos de repente, tendo passado a vida toda "achando que ouvia" tudo?


Tontura/falta de equilíbrio com sons desconhecidos:

Muitas vezes perco momentaneamente o equilíbrio, para só depois de alguns segundos entender que o que estou sentindo é um som novo, provavelmente em alguma frequência que raramente ouço. Não é fácil reconhecer que estou ouvindo algo, parece apenas que o cérebro está 'agitado'. E mesmo depois de reconhecer que é um barulho, não é possível dizer se é grave ou agudo, nem de onde vem...Parece apenas uma pressão no tímpano, é meio complicado de entender. (Mas isso, com sons desconhecidos.)
Isso acontece sempre quando ouço no computador ou toca discos, sem fone, alguma música que não conheço, ela parece apenas ruído. Mas quando é uma música que já conheço, que já ouvi muitas vezes, com fone, o cérebro 'preenche' com os sons - e o engraçado é que às vezes a música pausa sem querer e eu demoro para notar, porque o cérebro continua 'ouvindo', continua criando os sons, eu realmente acredito que está tocando música...Tudo criação da mente! Ou seja, nosso cérebro engana, e se engana facilmente com os sons.

Confusão com sons equivalentes: 

O som que eu escuto de um ventilador, com os aparelhos, é o mesmo som de um avião passando bem em cima de casa, sem aparelhos. Então, às vezes entro no quarto com os aparelhos, ventilador ligado, e eu acredito que tem um avião passando - até que noto que 'esse avião tá demorando muito pra passar' e então vejo que é o ventilador... Bizarro. (E quando passa um avião e estou com aparelhos? Parece que vai começar o apocalipse hahaha ) O som de um carro parece o de um caminhão. Pingos grossos de chuva parecem passos fortes, e o som dos meus próprios passos, que antes nem ouvia, parecem absurdamente altos. Muitos sons ficam confusos demais. Confusão total, principalmente em  locais barulhentos.

Perda da noção de distância/espaço:
Com os aparelhos, tudo parece muuuuito perto, carro, caminhão ou ônibus me assusta demais (fico achando que vou ser atropelada a todo momento). Máquinas, barulhos de obras, pessoas falando, tudo parece perto demais, sufocante! A noção de distância foi totalmente bagunçada (principalmente numa segunda-feira, depois de passar o final de semana sem os aparelhos). Por isso na rua, detesto usar AASIs, já estou acostumada a ficar sempre com a visão atenta, dispenso ouvir mais.

O mundo parece um pouquinho 'inclinado':
A diferença da audição entre os dois ouvidos não é lá muito grande, mas antes dos AASIs eu já notava que o direito sempre foi pior. No direito não tenho muuuita compreensão de fala, se não entendo alguma coisa, sempre inclino o esquerdo em direção à pessoa. Quando criança, se tivesse algum barulhinho na hora de dormir, eu sabia que era só afundar o lado esquerdo no travesseiro, que o direito ficava pra cima, e então não ouvia. (Como que eu achava isso normal, gente, cooomo??? ) Então com os aparelhos eu fiquei tipo "Não pode ser, tudo parece inclinado!" É estranho, muito estranho. 

Então, pessoinhas queridas, como eu sempre peço, muita paciência, por favor

Não imaginem que ouvir com aparelhos é como se a sua audição magicamente ficasse melhor, mais clara e mais cristalina. Porque na verdade é tudo meio desnorteador, irritante, e muitas das vezes, confuso. Uma vida de chiados e ruídos, e no meio disso, tentamos treinar o cérebro para buscar os sons que nos são úteis. 

Paciêêência..pois a adaptação é muito longa!!!   =D 


As lindas Gabriella Esteves e Larissa Schmitz, (Usam AASI e IC, respectivamente)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Não ouvi e...Eita!

Não "deixe pra lá". Isso é muito, mas muito comum na vida de quem não ouve. Nem notamos quantas conversas já foram perdidas porque não entendemos algo e deixamos pra lá. Um exemplo bem real, que aconteceu há alguns anos:

Telefone toca, eu atendo. (Hoje em dia, o residencial, já nem atendo mais, não tem jeito.)

Já falei nesse texto >aqui< sobre deduzir frases simples facilmente, mas ter uma enorme dificuldade de entender nomes próprios, siglas e palavras não muito utilizadas. 

Não entendi o nome de quem estava falando, não reconheci a voz, só entendi:

- "Avisa pra tua mãe que (??  nome ??) morreu."

Eu: -"Ahn?"

- "Avisa pra tua mãe que (??  nome ??) morreu."

-"Quem? Não entendi"

E assim ela repetiu mais umas 3 vezes. É, não teve jeito, no final eu falei "Tá bom, ta bom, pode deixar que eu aviso..." e desliguei. Eu pensei "Bom...Se for alguém próximo, minha mãe vai ficar sabendo por outras pessoas também, né..." 

Só que não. Duas semanas depois entra um 'raio' na cozinha, enquanto eu tava tomando café:
-"COMO QUE TU NÃO ME AVISOU QUE O FULANO MORREU?" 

O café parou na garganta. O tempo parou.


Eita...


É...Melhor não deixar pra lá não. Tem muitas frases que perco no dia a dia e não me importo, mas esse é um hábito que precisa mudar. Não deixe pra lá não, pergunte, peça para repetir, peça para escrever, se for ao telefone, peça para a pessoa desligar e mandar mensagem pelo WhatsApp. 
Perder informações pode ser um grande problema...

sábado, 10 de dezembro de 2016

O ano não podia acabar sem essa!

Olá pessoas queridas,

Estava eu de boas, com meus aparelhos auditivos, conversando com uma mulher, e ela me contando sobre os planos dela de se graduar, e ingressar na Marinha. 
Eu disse pra ela:

-Poxa, que legal! Sabe que eu, desde criança, queria muito ingressar na aeronáutica? Só que, olha só (mostrei os aparelhos) eu sou surda e...

Antes de terminar fui interrompida pela célebre frase animada dela: 

-"Ahh que incrível!! Então tais garantida, tu entra pela cota de deficiente, né?"




Acertô, miserávi!
Tchaaarãããnn, problema resolvido...Só que não
HAHAHA


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Reações em gifs #1

Importante: Por motivos óbvios de inclusão das pessoas com deficiência visual, os gifs tem áudio descrição logo abaixo, a cor da letra é branca, assim, quem enxerga, vê o gif e lê só a parte que interessa do texto, mas pra quem precisa de descrição, ela está ali.
(Áudio descrição: existem aplicativos que leem os textos para quem não vê. Mas o aplicativo não tem como descrever uma imagem, um gif ou vídeo, por isso, é importante descrever.)

Quando tocam no meu cabelo (e estou com os aparelhos):


[Um gif do filme infantil "A nova onda do imperador", em que o Kronk, amigo do imperador, chega e o cutuca, então o imperador se vira de repente, balança os braços como se estivesse começando uma luta, e diz "não escosta"] 


Quando reclamam que me chamaram e eu nem olhei: 

Assim fica difícil, né amigo, esqueceu?? Balança os braços, cutuca meu ombro, tira um chinelo e joga amassa um papelzinho e joga.
[Um ator olhando de frente e fazendo uma cara de "dã", meio debochada, como se estivesse dizendo "eu avisei, né"] 

Quando me sento em uma mesa comprida, cheia de gente:

Vai começar a tortura! Se for jantar, é pra olhar pro prato, ou fazer leitura labial? Céus!!
[um jovem sentado em uma mesa, com cara de nervoso/assustado, com os olhos arregalados, braços apoiados na mesa, olhando para um lado, e pro outro.]

Quando ainda insistem que legenda é frescura:


Simples. Se reclamar, a gente faz mais cartaz.
[Presidente dos Estados Unidos, o Obama, de terno e gravata, batendo na mesa e dizendo "Isso é lei"]

Quando a pessoa começa falando de frente pra mim, mas vira de costas e sai do ambiente falando:

Tá de zoeira comigo, né? Vai voltar aqui e repetir tudo, sim!
[ator que levanta ambos os braços, e abaixa batendo eles no lado do corpo, com uma cara de "o que foi que eu te disse, hein?" Uma reação típica de alguém que está pensando "eu não acredito que ele fez isso..."]


Quando estou num ambiente barulhento, sem entender nada, aí coloco os aparelhos, mas situação fica pior ainda: 
E agora? Com, ou sem os aparelhos?
[gif de uma mulher fazendo expressão de quem não está entendendo nada, com os olhos abertos, olhando para cima, e virando para o lado, ainda com a expressão de quem está perdido, sem saber o que está acontecendo.]

Quando explico pra um recém-conhecido que preciso fazer leitura labial, que no ambiente barulhento é difícil, e aí a pessoa vem querer gritar no meu ouvido:
Não tem como ler lábios se eles estão encostando na minha orelha, né criatura?
[mulher revira os olhos para cima, bate de leve na mesa, se inclina pra trás  com uma cara de indignada, mas engraçada ao mesmo tempo]

Quando de repente escuto e reconheço uma consoante que antes, pra mim, nem existia: (essa é pra quem está em adaptação aos aparelhos/implantes)

O que é isso entrando nos meus ouvidos???
[gif de um garoto fazendo uma expressão de surpresa, ele abre um sorriso, e olha para o lado, como se estivesse apreciando uma sensação nova.]

Quando começam a dizer que nada precisa ter Libras, porque existe legenda:

Shhh....Vamos respeitar a segunda língua oficial do Brasil, né?
[ator que levanta uma mão na altura do rosto de outra pessoa, e faz "shii" com a boca, sinalizando que é pra pessoa parar de falar.]

Quando a bateria do aparelho acaba no trabalho, no meio da aula ou em um evento, e eu tento me lembrar se trouxe reserva: 


Torcendo pra que aquelas na mochila sejam novas...
[mulher com cara de assustada/preocupada, olhos arregalados, mas séria, com uma sobrancelha levantada. a cena congela, ela fica toda cinza, o que dá um ar mais dramático.]


Quando tem várias pessoas falando comigo ao mesmo tempo:

Socorro! Leitura labial em um já é difícil, então, PARA!! Um de cada vez!!
[Uma pessoa com uma máscara de cavalo, que cobre toda a cabeça. A pessoa coloca as duas mãos na cabeça e vai arrastando até o peito, enquanto balança a cabeça para os lados.]


Quando alguém me faz uma pergunta, mas eu não entendi/ouvi. A pessoa espera a resposta, mas eu só estou pensando "Tomara que não tenha sido uma pergunta..." 


Uhum....é...uhum...legal...
[um sapo, de marionete, balançando afirmativamente a cabeça, olhando para um homem, e ele faz o mesmo, olhando para o sapo.]
E, por último, como me sinto por dentro quando tiro os aparelhos no final de semana:


Adeus mundo barulhento demais!!!
[Mister Bean em um carro com a capota aberta, balançando os braços e mostrando o dedo do meio, sorrindo.]


E você, tem alguma reação típica, e um gif que a descreve? 
Manda por email: daniellekmachado@gmail.com para o próximo "Reações em gifs".
=) 




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

2016 já pode acabar depois dessas...

Se juntasse todas as pérolas que me falam, sei que daria um livro. Mas como não escuto a maioria, dá só um texto mesmo. 

Here we go, resuminho de 2016, tentei escrever exatamente como me falaram:


"Mas tu namoraria com alguém com deficiência? Por que escolher alguém com deficiência se tem tanta gente ~perfeita~? Pra que passar dificuldade?



- Para, para! Socorro...A pessoa nem se tocou que eu também sou uma pessoa com deficiência...E que ela também pode se tornar uma, e com certeza não gostaria de ser deixada por isso...

"Para de pedir por legenda, quer legenda, baixa o filme em casa..." 



- Nem respondo.



"Mas se aumentar o volume pode ser dublado, né? "


-No.

"Mas eu coloco no máximo"

- Nooo.


"Ah tais usando aparelhos só há pouco tempo? Poxa, então aprendesse a falar rápido...Sabes falar bem, pra quem era muda até recentemente."



- Eu ri, mas deu vontade de dizer "Senta aqui, que tenho muuuuita coisa pra te explicar...". Detalhe, era uma pessoa da área da medicina. Gente, existem muitos graus de perda, surdos oralizados...Informação é tudo!

"Tu é surda? Ah, então por isso que tu tava tão séria, não ria de nada...Não tava entendendo o que a gente falava, né? Tu fala em Braile? "



- Braile? Não, pera...Pode ser código Morse? Hahaha

"Mas COMO que não entendeu se tá de aparelho???"



-Oh céus...Devo começar contando toda a história, mostrando tabela de frequência por decibéis, explicando sobre memória auditiva, sobre ter ficado a vida toda sem aparelhos, captando só vogais, ou...por onde?



"Mas não podem brigar contigo, discutir, tu é deficiente, eles não podem fazer isso."


[partiu pro fight]

- Nossa, é mesmo. Me providencia uma bolha de proteção pra eu me esconder dentro e nunca mais falar com ninguém, por favor?

"Que bom que dá pra esconder os aparelhos com o cabelo né?"



- Dá licença que meus aparelhos nasceram pra brilhar, beijos.

"Como que tu entendeu que eu tava falando de ti, se tu vive entendendo tudo errado, hein?
-Leitura labial.


"Parabéns, você mesmo sendo deficiente é elegante"



- Sai daqui, e leva junto esse teu preconceito de que pessoa com deficiência tem uma aparência específica.



"Poxa, que peeeeena que não escuta direito, te achei bem bonitinha"




-Ahhhhh MORRE, please!

É...Tem muito mais, conforme for lembrando, compartilho com vocês. Mas só por essas, já chega de 2016... =) 


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Paciência, muuuita paciência na adaptação.

   Pode sentar que esse é pra ler com calma. 

Obs:  AASI significa aparelho auditivo.

(Este texto foi escrito sob o efeito de altas doses de nervosismo. Por favor, paciência hehehe)

Quando alguém começa a usar aparelhos auditivos, é normal a curiosidade da família e amigos. Eles querem saber como um aparelho funciona, querem ver como é, e o principal, perguntam: "Agora está ouvindo?". Sim, algumas coisas eu estou ouvindo, mas isso não significa que estou entendendo. 

Como já expliquei nesse texto >aqui<, "A minha perda é moderada, mas é preciso explicar o que isso significa: Esqueça volume, esqueça porcentagem de audição, esqueça colocar os dedos no ouvido pra tentar descobrir como é ouvir tudo mais baixo. A perda auditiva pode se manifestar de diferentes formas, dependendo de quando ela surgiu, se foi feito o uso de algum aparelho auditivo ou implante desde a infância, e das frequências de sons que foram afetadas."


O que eu escuto, sempre foi o meu 'normal', do mesmo jeito que pra você, ouvinte, tudo está no volume normal também. 


Minha ideia sobre os aparelhos tem mudado a cada dia. Nunca imaginei que seria tão difícil e tão abrangente a adaptação. Gostei ou não gostei? Ainda não decidi. Estou fazendo uma balança imaginária, com as principais coisas boas e ruins sobre a adaptação e descobertas. Uma coisa é certa: em casa e na rua eu NÃO uso os aparelhos. É muito barulho de fundo, ruído que não sei o que é, e ao final do dia já estou no limite da paciência. 

Nos primeiros dias com aparelhos: Olha só, zíper faz barulho! *abre e fecha loucamente o zíper da mochila* Caramba, a água da torneira tem um som muito mais legal do que eu ouvia! *desperdiçando água hehe* Uau, a geladeira faz barulho! O relógio na parece faz barulho! Mouse e teclado do notebook fazem barulho! Como esses sons existiram sempre e eu não ouvia? 


Agora: 


Antes de abrir qualquer zíper, torneira ou entrar na cozinha, tiro os aparelhos. Mastigar com aparelhos? Nem pensar! Escovar os dentes? Nop, tiro também. Tem chance de alguém mexer no meu cabelo? Já tirei. Entrar no ônibus ou carro? Adeus, AASIs.  Parece que tudo em que encosto faz um barulho absurdo, como se tivesse batendo nas coisas, deixando cair, e todos estivessem olhando pra mim por causa disso. Digitar no computador no começo foi uma tortura, porque é como uma britadeira! Acredite, isso não é nada legal.  É como se acionasse o "modo adrenalina"! 




"Ah mas então tem mais reclamação dos aparelhos, do que elogio?"

 Infelizmente, por enquanto sim. 



E lá vai o mais sábio conselho pra você que não tem perda auditiva, mas que conhece alguém que está se adaptando aos aparelhos: 

♥ Não te mete, criaturinha amada.
Só isso.
Pooor favooor.
Me deixa quietinha aqui no meu canto.

Porque é muuuito fácil você dizer pra quem está tentando se adaptar:

 "Mas você PRECISA usar!"
"Você NÃO PODE ficar sem eles!"
ou "COMO ASSIM quer desistir? Você não pode!!!" 

 Quero ver é você colocar os aparelhos e aguentar tanto barulho! 

"Ahh mas eu não tenho perda auditiva" me respondem. 

Amigo, a sensação é a mesma! Esqueceu que do mesmo jeito que pra você esse 'volume' aí é o normal, pra mim, o que eu escuto também é o 'normal' ?!


É claro que eu sei das dificuldades que enfrentei e ainda vou enfrentar, por causa da perda auditiva. Lembro muuuito bem das situações vergonhosas, das risadas alheias, dos momentos que deixei de aproveitar e nervosismo por não entender muitas coisas, tanto em casa, como em sala de aula ou com amigos. E mesmo assim, apesar disso, eu prefiro ficar SEM os aparelhos na maior parte do tempo.

Então acho que dá para notar que não é fácil assim se adaptar. Sinceramente, é muito mais simples me virar na leitura labial, ignorar o que não entendi, ver filme com legendas, do que usar os aparelhos o tempo todo.

Tem gente que nasce e morre sem nunca ter ouvido um som sequer na vida. E qual é o problema? Nenhum! Por favor entenda quando alguém desiste dos aparelhos. Eu preciso considerar também a qualidade de vida: pra mim, não adianta ouvir, mas viver suuuper irritada por isso. Se algum dia essa irritação toda vai passar? Eu espero, porque do jeito que está não tem como continuar, a saúde mental é importante.

E não, não é egoísmo eu deixar de usar aparelhos em casa, pois minha família não faz nenhum esforço quanto a isso: eu que faço leitura labial, eu que levanto e vou até eles quando tentam conversar de outro cômodo, ou seja, pra eles, não muda absolutamente nada. Mas quem fica com os tímpanos latejando ao final do dia, por tentar usar aparelho? Eu, só eu. 

Quando que ainda uso os aparelhos então? No trabalho, pois às vezes preciso usar o telefone (e sempre no volume máximo). Em uma ligação, qualquer barulho externo me impede de entender o que falam, então preciso pedir para as pessoas repetirem muitas frases. Solução para diminuir a dificuldade? Como só consigo usar o telefone na orelha esquerda, eu tiro o aparelho da direita, isso ajuda a ter mais silêncio hehe.

Em sala de aula, nem pensar!!! Com os aparelhos, qualquer barulhinho fica insuportável. Alguém falou lá do fundo da sala? Parece que a pessoa está no meu lado, de tão alto. Ar condicionado era algo que pra mim não fazia barulho nenhum, mas agora, descobri que parece um helicóptero. Arrastam cadeira, abrem zíper, batem com o celular na mesa, conversam...Sala de aula com aparelhos é um INFERNO!!! Se algum dia eu for presa, com certeza será por ter levantado e dado um tapa em alguém que não cala a boca. Mentira, gente, não faria isso...

Mas por acaso existe algum motivo para não desistir? 

Sim. 

 ♥ Música ♥

Eu ainda quero, um dia, ouvir uma música e entender a letra, mesmo em português. 
Por isso, não desisto.
Tento a cada dia aprender a ouvir,
e nem sempre preciso dos aparelhos pra isso.

Mas esse assunto fica pra outro post.

Por hoje é só essa voadora delicada em forma de texto mesmo =)








Eu só não aprendi a ouvir

A minha perda é moderada, mas precisamos falar sobre o que isso significa. Esqueça volume, esqueça porcentagem de audição, esqueça colocar os dedos no ouvido pra tentar descobrir como é ouvir tudo baixinho. A perda auditiva pode se manifestar de diferentes formas, dependendo de quando ela surgiu, se foi feito o uso de algum aparelho auditivo ou implante, e das frequências que foram afetadas. 

A adaptação à perda foi natural pra mim, com o passar dos anos foi ficando mais difícil ouvir, porém mais fácil ler lábios e deduzir. (Hoje, até admiro essa capacidade de dedução, porque às vezes adivinho a frase inteira mesmo entendendo só uma palavra hehe). Tenho certeza de que se alguém, ouvinte, de repente ficasse com a minha audição, não entenderia quase nada do que escutaria.

O que aconteceu é que eu aprendi a ouvir de um jeito completamente diferente, aprendi as palavras, as frases, mesmo faltando muitas letras - e esse é o meu 'normal'.

E agora com os aparelhos eu saí entendendo tudo, entendendo a letra das músicas? 



Aiiinda não... Em dois shows que já fui, não entendi nada do que foi cantado! Por mais alto que fosse o volume, parecia outro idioma. Porém quando cantaram uma música que eu já conhecia a letra, o cérebro "preencheu os sons", e eu ouvi tudo, mas na verdade era a memória auditiva.

Fui ao cinema assistir Star Trek dublado, sem legendas, e com os aparelhos no volume alto. Anotei em um papelzinho de quantas frases longas eu não entendi nenhuma palavra.

Total: 210. Foram 210 frases sem entender sequer uma palavra.

Era como se todos falassem assim.


E eu nem contei as frases curtinhas, e as outras muitas em que perdi uma ou duas palavras, ou que deduzi pelo menos a metade. (Não faço a mínima ideia do que aconteceu no filme, até dormi um pouco.)

Por isso que para entender com aparelhos, eu preciso aprender primeiro. 

Se você assistisse um filme em um idioma completamente desconhecido, você entenderia o que é dito? Não? Por quê? Mas você não está ouvindo? Então como não entende? 

Você não entende porque não aprendeu o que significa cada som. Seu cérebro não sabe identificar. E é exatamente assim que me sinto. 

Eu apenas não aprendi a ouvir como vocês. E acho importante as pessoas saberem isso, para acabar com aquele pensamento "Se usa aparelho auditivo então ouve tudo." É, nem sempre, amigos, neeem sempre...